segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Francisco da Depressão

Peço licença à poesia.
Um pequeno (e malcriadíssimo!) protesto às garotinhas que ainda não cresceram em suas fantasias sexuais. Pequena censura a todas as filhas da Tropicália que cresceram ouvindo as mães suspirando e dizendo que largariam os maridos sem pensarem duas vezes por apenas uma noite de amor com o malandro culto carioca (um beijo aí, Dona Perpétua!), Chico Buarque. Ou só Chico, para as íntimas.
Um apelo às que, apesar de pertencerem à década de 90 – no máximo 80! –, efervescem com a (nova) volta da onda de amar o velho e conseguem se derreter por aqueles olhos verdes mais que suas próprias mães o fizeram há quarenta anos atrás.
Por favor, queridas. Quando vocês alcançaram idade para entender o que andavam suspirando pelas alcovas, o bacana alcançava idade para ser avô de vocês!
E aí somos obrigados a mil e um “Casa comigo”, “Estou apaixonada” e até um “Vem ni mim” eu juro que já vi.
Admito sem problemas: seu Francisco é um dos caras mais bárbaros da nossa música, e eu muito provavelmente estarei sempre interessada no que venha a sair da boca dele. Aliás, no que venha a ser escrito por ele. E realmente! Também já deu um bom caldo. Mas, hoje em dia, apesar de com certeza ter muito mais coisa bonita para escrever e cantar, tem quase setenta anos, quarenta e oito a mais que eu e quatro a menos que meu avô antes de falecer.
Longe de mim julgar paixões que nascem com diferenças de idade (já posso sentir as pedras das defensoras fiéis do amor pelo intelecto)! Mas vou dizer uma coisa: ainda prefiro só ouvir o Chico e beijar alguém do meu tamanho.
Francisco, meu querido, eu te adoro! Mas eu não daria para você nem fodendo.